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J'ai commencé ma vie comme je la finirai sans doute: au milieu des livres. Jean-Paul Sartre (Les Mots)

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Dentro de nós há algo que não tem nome, essa coisa é o que somos. José Saramago

Sexta-feira, Março 18, 2011

Lily em 5 atos - Uma homenagem ao Dia Internacional da Mulher

Bem sabemos que o dia 08 de março de cada ano é apenas mais um dia para muitas mulheres que ainda sofrem com violação de seus direitos, opressão e discriminação. Atrocidades como estupro, mutilação genital, exploração sexual, casamentos arranjados, violência doméstica, ainda são, em pleno século XXI, uma brutal realidade.


Mas, a história nos mostra que somos guerreiras e que, apesar dos obstáculos, não desistimos de nossa longa e bem sucedida jornada em direção a um futuro de respeito e igualdade de direitos. Uma história de conquistas protagonizada por todas nós, Mulheres-Maravilha (ou seríamos Maravilhosas?) cujos super poderes continuam a intrigar até mesmo os mais sabidos.


Por falar em mulheres maravilhosas e cheias de atitude, apresento-lhes Lily, nossa personagem cuja história vai muito além do dia 08 de março.


Lily em 5 atos

Ato I - Um longo dia que varou noite adentro


Era 08 de março. Lily passou o dia mobilizada com os preparativos para a comemoração do seu Dia Internacional da Mulher. “É hoje!”, suspirava ela excitada ao contar as horas para o encontro que teria com Godofredo, seu namorado de longa data, carinhosamente chamado de Godo.


Lily já havia caminhado alguns metros do quarto até o banheiro e do banheiro de volta ao quarto, pois interrompia com freqüência o que estivesse fazendo para vislumbrar o esplendor da noite, ali mesmo, sobre a cama, naquele simulacro de seu próprio corpo que ganhava vida na roupa estendida, nas jóias e bolsa sustentadas por braços imaginários e nas sandálias ao chão. Era a última etapa de um dia de folga todo dedicado às unhas, ao corpo e aos cabelos. Sofrera, horas antes, com depilação de pernas, virilha, axilas, buço e sobrancelhas nas mãos da melhor e mais temida especialista na técnica: senhora Marvaditz. Já em casa, os cuidados continuariam no banho demorado (Magda é do tipo “verde” e segue à risca as recomendações da ONU para o consumo consciente da água, mas o dia era especial e permitia desperdício). O pacote completo incluiria, ainda, maquiagem impecável, perfume francês e roupa íntima desconfortável e caríssima, é claro.


Quanto a Godo - bem como todos os outros habitantes do planeta Y – o processo seria menos árduo: banho com sabonete qualquer, xampu anti-queda ou anti-caspa, duas borrifadas de perfume e indumentária escolhida sem muita hesitação e que, certamente, não seria tão cara quanto qualquer uma das peças recém adquiridas por Lily.


Ato II - Esperando Godofredo


Lily está pronta e à espera de Godo. Com pontualidade brasileira – 20 minutos de atraso - o interfone toca. Ela atende e se faz de desentendida: “quem é?”. O coração de Lily bate forte e acelerado ao ouvir Godo. No elevador espelhado rumo à felicidade, a incansável Lily aproveita aqueles dois minutos entre o primeiro andar e o térreo para o retoque final. Mexe e remexe, faz caras e bocas, ri, ajeita o vestido, joga os cabelos de um lado para o outro, estabelece um mini diálogo com ela mesma e, acreditem, ensaia um desfile nos poucos metros quadrados disponíveis.


O bip soa. O T se apaga. Chegou.


Godo está lindo e impecável aos olhos da dedicada Lily que ao se aproximar, surpreende-se com a total ausência de emoção do jovem parceiro que nada esboça ao vê-la dressed to kill – a não ser um “oi, querida, tudo bem?”, seguido de beijo. Godo não lhe abriu sequer a porta do carro! O pós-contemporâneo regido aos bons costumes das redes sociais virtuais parece ter esquecido as boas maneiras do mundo real.



Ato III – Hora de despertar...


No salto – literalmente – Lily, consciente do inesperado incômodo, transgride e não perde a serenidade, tardiamente adquirida à custa de inúmeros e muitos, digamos,‘espontâneos’ episódios de tpm. No local previamente sugerido e reservado por ela, jantarzinho à luz de velas e papo nada romântico. Diante dos encantos de Lily – reconhecidos por olhares alheios mais atentos e merecedores de tal recompensa - o sujeitinho não manifestou nenhum ritual de conquista (qualquer um daqueles obrigatórios, sabem?) como se já soubesse do sucesso da caça sem ao menos sair para caçar (Onde já se viu?). Fingindo dar atenção ao tema que era proferido, Lily arquitetava sua elegante saída do recinto. Desculpou-se por interromper o incessante monólogo, disse ir ao toalete, levantou-se e nunca mais voltou.


Já na rua e sem destino, Lily caminhava acelerada e feliz ao lembrar-se de quem ela realmente era. A cada passada, vinham à mente flashes daquela Lily extrovertida, ousada, cheia de personalidade e atitude, qualidades que, um dia, foram sua marca registrada. Mas aí, involuntariamente, os passos diminuem e o semblante muda. Vão surgindo marcas de uma expressão triste que, até então, estivera escondida, como naquele retrato no qual nem mais nos reconhecemos. Talvez porque nos achemos feios ou tristes. Talvez porque revele muito de nossa alma.



Ato IV – Uma mulher desiludida


Agora, são outras as lembranças que surgem lá dentro, na tela do inexorável HD mental de Lily. Lembranças dos dias em que Godo bebeu além da conta e a maltratou. De todos os dias em que nunca recebera um único elegio de Godo. Do dia em que preferiu não ver que Godo a traía com uma amiga do trabalho dele. Das vezes em que Godo a fez chorar. Lembrou-se, também, que a relação sempre estivera fadada ao fracasso, mas que preferia deletar as mágoas, os mal-entendidos, o dito pelo que não deveria ter sido dito, as decisões erradas, os caminhos extraviados. Preferia dar mais uma chance ao amor a ficar sozinha. Lily acreditava amar Godo mais do que a si mesma.



Ato V - Rumo à luz


Lily foi desacelerando até que parou. Estática, ela fitou no horizonte um casal que namorava. Eles tinham os olhos nos olhos enquanto trocavam carícias. Ah, como Lily gostava de olhos nos olhos... Pra ela, aquela era a mais íntima das intimidades. Desviou o olhar para o lado oposto e, atraída pela luminosidade no interior de uma pequena e charmosa livraria, deu de cara com o título “Eu sei por que o pássaro canta na gaiola”, da autora norte-americana Maya Angelou. Lily teve uma espécie de epifania que como regra básica, chega sem avisar. Mesmo sem saber do que se tratava o livro, Lily também sabia por que o pássaro canta na gaiola. Como num passo de mágica, orgulhou-se de seu repentino amor próprio que acabara de ser ressuscitado e de sua iminente coragem em desafiar seu descontentamento adormecido. Lily se reencontrou. Retomou a caminhada, o compasso e continuou a mover-se, para frente, deixando o que passou lá atrás e cada vez mais fora do alcance. Percebeu, naquele instante, que somos o que escolhemos ser.


Lily escolheu ser feliz e para tal não mais negociaria seu amor. Estava finalmente livre.


Fim

Que o dia internacional da mulher nos faça lembrar, todos os dias, de quem somos realmente: mulheres maravilhosas. Mulheres com M maiúsculo que embora dividam as contas com o parceiro valorizam a importância do respeito e apreciam a delicadeza, sempre.


Feliz dia internacional da mulher!

Sábado, Janeiro 08, 2011

Reencontrei Chico




Era dezembro de 1988. Chico Mendes, líder sindicalista e protetor da floresta amazônica, foi brutalmente assassinado em Xapuri, no Acre, sua terra natal. Eu tinha 15 anos de idade e aquela fora a mais triste notícia da minha vida.



A causa verde era a minha causa de vida. Estava sempre antenada aos movimentos graças aos documentários exibidos pela TV educativa e produzidos pela BBC. David Attenborough era um querido e já íntimo. Além do britânico, eu era seguidora assídua de produções brasileiras como o precursor Baleia Verde, com Sydney Rezende e Terra Azul com a pra sempre expedicionária Paula Saldanha. Só de ver as repentinas aparições do Rainbow Warrior - navio símbolo do Greenpeace - em corajosos embates e emocionantes campanhas contra a caça indiscriminada de baleias e focas nos lugares mais remotos do planeta, meu coração disparava. Eu queria estar lá, afinal, eu era uma das maiores ativistas ecológicas do mundo! Eu tinha 15 anos e sonhava em ser membro do Greenpeace.


Em minhas investidas particulares, saía às ruas e agia, feito gente grande, ao tomar nota de donos que aprisonavam silvestres e maltratavam bichinhos indefesos. No telefone, denunciava tudo que estivesse irregular aos órgãos. Orgulhava-me da minha humilde participação no contexto You Can Save the World. Colecionava reportagens, escrevia para meus ídolos verdes, daqui e de lá, contava os dias para a chegada ao Rio do Rainbow Warrior, sofria com as imagens de matanças de bebê-focas, baleias Jubartes, gorilas das montanhas, tartarugas marinhas e chorava com tamanha impotência.



Fazia, então, o que estava ao meu alcance: denunciar. A lista de animais sofridos comportava as mais diversas espécies, desde um vira-lata com lepra até um macaco-prego doente e acorrentado. Este último me deu trabalho. O pequeno silvestre nativo da mata atlântica se chamava Tico, vivia acorrentado numa oficina mecânica e era prisioneiro de um sistema carcerário precário e insalubre. Quem poderia salvá-lo? EU.


Investiguei, disfarcei, me aproximei, testemunhei, provei, acusei, denunciei. Fui ameaçada pelo dono da oficina, mas de nada adiantou porque quando somos jovens, nada tememos. Aos meus olhos arregalados que da sacada de um apartamento no sexto andar tudo viam, a cena fora cinematográfica. O processo foi longo e exigiu paciência para o gratificante desfecho. Às 16h45 daquela tarde, entrou em ação o IBAMA. Tico foi levado às pressas para o Centro de Triagem e recuperação na Gávea. Tinha úlcera e dentes cariados, mas sobreviveria. Já, o dono, foi multado e ficou indignado!



De volta ao propósito inicial desta postagem, Chico Mendes fora a minha maior motivação. Estivesse ele em Xapuri confrontando os temidos ‘Darlis da Silva’ ou em Washington antecipando os riscos da destruição da floresta mãe, eu certamente saberia.


Chico, sua mulher Ilzamar, os pequeninos Elenira e Sandino e o amigo Gumercindo eram, pra mim, protagonistas de uma novela real e com final feliz. Sim, porque quando somos jovens, ainda acreditamos que pra tudo deve haver um início, meio e fim, e que este último, deverá ser, necessariamente, feliz. A floresta seria, SIM, salva dos vilões e o bem, ah... esse aí era predestinado a vencer o mal sob quaisquer circunstâncias.


Mas, aí, em 22 de dezembro de 1988, um tiro tirou a vida de Chico. Foi à noite e lembro como se tivesse sido ontem. Recusava-me a acreditar no que via e ouvia pelo jornal nacional.


...


Passaram-se vinte anos e durante todo esse tempo, guardei Chico, bem guardadinho, num lugar onde ficam os inesquecíveis, os memoráveis, os inigualáveis. Com medo, evitei reencontrar Chico.


...


Até que fui convidada por uma amiga querida a ir à abertura da exposição “Vinte anos sem Chico Mendes”, no museu do meio ambiente, aqui no Jardim Botânico, no Rio. Para o evento, sentia-me preparada emocionalmente para relembrar, afinal, o tempo e a distância fazem milagres. Era para ser um reencontro desprovido de grandes emoções. Atemporal, sem predicados e definições premeditadas.


...




Cheguei. Vi Elenira, filha de Chico e idealizadora do evento que mostra o legado do nosso líder maior. Um sorriso espontâneo em meus lábios traduzia a linda lembrança que tinha daquela pequena que, pela TV, descabelada e de cara emburrada diante das câmeras, estava sempre de mãos dadas com o pai. Elenira também tentou esquecer e, por quatorze anos, não quis saber de remexer. Até que uma carta de seu pai lhe chega às mãos com a seguinte mensagem:


“És a vanguarda da esperança, Elenira. Darás continuidade um dia à luta que seu pai não conseguiu vencer”.


Entrei e me familiarizei. Lá, comecei minha jornada rumo ao conhecido. Fotos, quadros, reportagens, entrevistas, prêmios, tudo exposto cronologicamente. Sabia de cor o que veria em seguida. Até que me deparo com a linda casinha azul de Chico. Vinte anos depois, o sonho realizado: a chance de ‘entrar’ na casa de Chico, ‘convidada’ por sua filha.



Fui pega desprevenida. Estavam lá objetos, pertences e um pedaçinho do homem Chico. Não pude conter as lágrimas que insistiam em cair, desobedientes, rompendo com todo e qualquer código pré-estabelecido. Experientes, elas exigiam o acerto de contas tardio com os últimos vinte anos. Ao deixá-las cair, não senti mais medo de reencontrar Chico.



“Se descesse um enviado dos céus e me garantisse que minha morte iria fortalecer nossa luta, até que valeria a pena".


Chico Mendes

Quinta-feira, Agosto 26, 2010

Billie e Bishop



Visitando o site do amigo Roberto Bahiense (http://robertobahienseopina.blogspot.com) vi uma postagem muito simpática sobre a poeta americana contemporânea Elizabeth Bishop que, durante passagem pelo Brasil apaixonou-se pela nossa terrinha e decidiu aqui ficar. Faz muito tempo que nada leio de Elizabeth, mas se vejo seu nome, penso num essay que escrevi, ainda na faculdade, para o tema As questões raciais nos Estados Unidos.

Entre tantos outros recursos, lá estavam espalhados sobre minha escrivaninha, os speeches de Martin Luther King, Jr., as fotos dos mascarados Ku Klux Klan, imagens de corpos linchados, a resistência e o sereno caminhar de Rosa Parks ao ser presa, a expressão da intolerância de Malcom X e, é claro, o lindo poema de Elizabeth Bishop "Songs for colored people".

É lindo e extraordinariamente musical, dedicado, especialmente, à mulher negra americana. A própria Elizabeth teria dito, na época, que ao escrevê-lo pensava em Billie Holiday cantando. Ah, não deu outra, resolvi enveredar por outras expressões e rapidinho cheguei a Billie. Lá, deparei-me com sua rara e dramática performance de Strange Fruit, protesto ferido contra o racismo em forma de canção sobre o linchamento de afro-americanos. A prática era comum e aplicada aos negros americanos que cometessem - ou não - crimes, desde o final do século XIX até 1960, quando os direitos civis passaram por reformas.

De arte em arte e sem medo de errar, percebi em ambas a analogia à perda da identidade afro-americana. Eureka! A quarta estrofe do poema de Bishop - melancólica e triste - e a canção interpretada por Billie Holiday cuja expressão lhe rendeu o título de música do século - baseada em poema - estavam intrinsicamente relacionadas.

Não sei por onde anda aquele essay. Deve estar entre as pilhas de apostilas fotocopiadas e calhamaços de papel mofado guardados em algum lugar de um passado distante mas inesquecível.

Com vocês Billie e Bishop:

Billie Holiday cantando Strange Fruit

Southern trees bear strange fruit,
Blood on the leaves and blood at the root,
Black body swinging in the Southern breeze,
Strange fruit hanging from the poplar trees.

Pastoral scene of the gallant South,
The bulging eyes and the twisted mouth,
Scent of magnolia sweet and fresh,
Then the sudden smell of burning flesh!

Here is fruit for the crows to pluck,
For the rain to gather, for the wind to suck,
For the sun to rot, for the trees to drop,
Here is a strange and bitter crop.


E, a quarta estrofe do poema de Elizabeth Bishop Songs for colored singer:

IV

What's that shining in the leaves,
the shadowy leaves,
like tears when somebody grieves,
shining, shining in the leaves?

Is it dew or is it tears,
dew or tears,
hanging there for years and years
like a heavy dew of tears?

Then that dew begins to fall,
roll down and fall,
Maybe it's not tears at all.
See it, see it roll and fall.

Hear it falling on the ground,
hear, all around.
That is not a tearful sound,
beating, beating on the ground.

See it lying there like seeds,
like black seeds.
see it taking root like weeds,
faster, faster than the weeds,

all the shining seeds take root,
conspiring root,
and what curious flower or fruit
will grow from that conspiring root?

fruit or flower? It is a face.
Yes, a face.
In that dark and dreary place
each seed grows into a face.

Like an army in a dream
the faces seem,
darker, darker, like a dream.
They're too real to be a dream.

Segunda-feira, Setembro 07, 2009

Ciúme

Minha amiga Lena enviou-me uma de suas belas mensagens que abrem, diariamente, o programa Mais Você .

O texto era sobre ciúme e de como este impiedoso sentimento pode destruir relações entre aqueles que se amam.

Não conseguiria ficar indiferente ao que lá estava . Quem é que não se lembra de um episódio de ciúme em momentos de desconfiança e insegurança?

Ou, então, durante uma crise existencial qualquer?

Ou, simplesmente, durante um desperdício hormonal mensal com desdobramento de baixa auto-estima diante do espelho?

Pensando nisso, escrevi-lhe o que vai a seguir. Esclareço que tratamo-nos uma a outra de vaca descabelada.

"Vaca mestiça descabelada que tanto adoro, que com henna barata comprada no Mundial consegue enganar e encantar os desavisados.

Vejo aqui que falas com propriedade de quem bem conhece o tema.

Eu também sinto ciúme, mas na medida certa, sem gordura trans.

Meu ciúme não TRANSborda, não me faz TRANSpirar, não TRANSforma o que temos de bom, não TRANSita impaciente, não TRANSmite agonia.

Meu ciúme também não é fermentado, nem alcoólico. Não causa ressaca, nem culpa no dia seguinte.

Ah, também é livre de glúten, portanto, meu ciúme não dá prisão de ventre, nem causa mal-estar.

Meu ciúme é LIGHT, mas está longe de ser ZERO. Em sua composição nutricional há valor energético considerável para, de vez em quando, sinalizar-me que estou atenta ao que temos de melhor: nós dois.

Há também, diariamente, valores altos de antioxidantes naturais, uma condição inerente a quem está vivo e apaixonado há mais de 15 anos pela mesma pessoa.

Entretanto, é sempre bom lembrar o prazo de validade. Não há conservadores que sustentem aquela cruel zona de conforto que nos faz pensar que amor entre homens e mulheres é amor fraternal e que entre nós, não deverá haver segredos, jamais...

E, finalmente, ainda tem aquele aroma idêntico ao natural de extrato de raiva, mas não passa de aroma, afinal, como já dizia meu caro e velho Nietsche, somos “humanos, demasiadamente, humanos".

Terça-feira, Maio 19, 2009

Sunscreen

Sábado, Maio 16, 2009

Podemos conviver pacificamente com as divergências ideológicas? Sim, se as respeitamos.




A partir de agora, vou chamar de X uma amiga querida. X me convidou para um aniversário de um amigo. Agradeci o convite, mas tivemos que decliná-lo. André estava muito gripado e a noite prometia cama e descanso, é claro!

Aproveitei a ligação para saber como fora seu dia e tudo mais. Tudo parecia bem até que, e disso eu me lembro bem, X fez uma breve referência a um e-mail (esses do tipo “corrente”, que se você não encaminhá-lo a 10 pessoas, os seus pedidos não se realizarão) ao afirmar que continuava a acreditar no poder daquela mensagem e que, se as coisas não haviam saído exatamente como ela planejara, era porque assim deveria ser.

A mensagem evocava a força de nossos mais verdadeiros pensamentos. Passo a passo, mentalizaríamos a realização bem-sucedida de um desejo. De acordo com a mensagem, em sinergia com o universo, a conquista seria revelada em alguns minutos.

Nesse momento (e me arrependo profundamente de ter desenvolvido o tema), tentei dizer a X que, na minha opinião, todas as coisas boas que lhe estavam acontecendo eram o fruto de trabalho, postura e atitudes corretas e, não, de uma breve mentalização diante do tal e-mail. O universo pode, sim, conspirar a nosso favor, mas que, a meu ver, há desgraças - doenças, tragédias, infortúnios - que estão fora do controle de indivíduos, sociedades, nações, países, e de nosso planeta.

Daí, ainda ao telefone e em voz alta, divergimos, contestamos, agredimos, desrespeitamos, e quando tudo que tínhamos de bom parecia estar comprometido por falácias e mal-entendido, percebi que o que menos exercitávamos ali era a nossa atitude positiva. Estávamos definitivamente emanando desarmonia.

X não poupou nem mesmo assuntos nada pertinentes à fervorosa discussão. Mencionou minha inaptidão para a convivência. Lembrou-se de 3 acontecimentos relatados por mim.

Contei-lhe que uma colega de trabalho havia escrito em seu blog que me odiava e que ao saber, fiquei consternada. Levou-me algum tempo até digerir por completo o ocorrido.

Segundo X, aí estava a minha primeira dificuldade para relacionar-me bem com pessoas.

Anos antes, quando eu ainda era RP, conheci uma amiga que se tornaria uma grande amiga.

Separamo-nos por algum tempo, sem briga, mas estávamos magoadas por um breve desentendimento.

Segundo X, aí estava a minha segunda dificuldade para relacionar-me bem com pessoas.

Ano passado, uma amiga apaixonada e recém-separada de um grande amigo meu, resolveu maltratá-lo com xingamentos e inverdades. Simplesmente, não permiti. Afastei-me dela.

Segundo X, aí estava a minha terceira dificuldade para relacionar-me bem com pessoas.

Bem, só não poderia imaginar que ao confidenciar tais situações a uma nova amiga, as mesmas seriam relembradas em tom punitivo por ela.


Eu te desejo muitos amigos

Mas que em um

Você possa confiar

E que tenha até

Inimigos

Prá você não deixar

De duvidar...


Vale ressaltar que a tal colega do primeiro acontecimento é digna de pena. Poderia ficar aqui horas escrevendo sobre tudo que sei de sua vida profissional e pessoal. Mas não vou fazê-lo porque o fracasso alheio não me faz feliz, nem melhor.


Já, a amiga do segundo acontecimento continua sendo minha grande amiga e o tempo em que estivemos afastadas – eu no Brasil mudando significativamente minha vida profissional e ela na Europa fazendo mestrado - fora importante para que percebêssemos que o que temos é ainda maior que eventuais embates ideológicos.


Quanto à terceira amiga, um dia desses me ligou e desculpou-se pelas ofensas malcriadas ao meu amigo e companheiro de projetos sociais que tanto adoro. Sou mulher, movida por hormônios e bem conheço os “estragos” de uma TPM. De imediato, com aquele sorrisão nos lábios, combinamos um almoço.


Contei a X que 2009 era o ano das amigas. Porque conheci X, porque minha amiga voltou para o Brasil e me disse coisas lindas e porque minha outra amiga havia me ligado para que voltássemos a ser o que éramos. Esse é, definitivamente, o ano das amigas.

Bem, de volta ao tema desta postagem.

Ao telefone e furiosas, X e eu não mais nos entendíamos. Já estávamos pra lá da Faixa de Gaza.

X gritava que os homens não vieram dos macacos. Eu gritava acreditar que a teoria da evolução das espécies proposta por Darwin é, pra mim, a mais plausível explicação para o que hoje somos.

X gritava que, por eu ser atéia, minha mente não estava aberta. Eu, indignada com tamanha ousadia, rebatia e gritava que X comportava-se como uma fanática ao tentar convencer (e, quem sabe, converter) a todos que estão ao seu redor de suas crenças e, assim, desrespeitar as diferenças. Se eu não acredito nas mudanças propostas pelo calendário Maia para o ano de 2012, X acha um absurdo.

X gritava ter visto espíritos quando criança. Eu gritava respeitar suas experiências mas que não acreditava em espíritos. X só fazia ratificar minha falta de preparo espiritual para tal dádiva.

X insistia em gritar que, na vida, tudo estava sob nosso controle. Eu gritava que há acontecimentos na vida que independem de nossas vontades.

X gritava conseguir tudo que queria na vida e que não tem problemas. Eu a parabenizo e desejo-lhe o melhor, sempre. Eu gritava que tenho tudo o que preciso para ser feliz, mas que não me culpo por ter insatisfações inerentes a quem é humano. Sou humana e tenho fraquezas! Meu corpo sinaliza o descontentamento e, aí, depois da turbulência, me encontro mais uma vez. Vivo me reencontrando, ainda melhor e mais feliz.
E assim foi... Desligamos o telefone e aqui estou, racionalizando o que é humano. Poderia ter evitado tudo isso se tivesse sido mais tolerante, mas não foi dessa vez!


E com os que erram

Feio e bastante

Que você consiga

Ser tolerante...


Tudo isso pra dizer a X que somos parte do todo. Com humildade diante da grandeza de um universo espetacular, soberano e misterioso, que nos indica, cada vez mais, que não existem verdades absolutas e que, se nele estamos, tão diversos e divergentes, então que sejamos livres e respeitados por nossas opiniões, tenho o livre arbítrio de ser o que quero ser: atéia e exijo respeito à minha convicção. Não acredito em Deus como um ser superior. Acredito que o Universo seja regido por energia que pode, eventualmente, promover ajustes e caos em todos os sistemas existentes.
Para mim parece óbvio que sejamos o que acreditamos, que sejamos o que comemos, que sejamos o que lemos e que, finalmente, sejamos aquilo que queremos ser ou que consigamos ser dentro de nossas limitações internas e/ou externas. Uma criança que nasce e vive com uma deformação congênita severa vai encontrar em todas as religiões uma explicação para sua deformidade. Já eu, acredito num corpo que está em constante evolução e, portanto, passível de “erros” genéticos durante sua formação. Erros estes que podem, também, ser apenas resposta justificável a uma sequência de "maus-tratos" a médio ou longo prazo a este corpo que gera uma nova vida.

Assim como uma simples corridinha de 20 minutos faz com que nosso corpo libere serotonina proporcionando-nos aquela agradável sensação de liberdade que potencializa a sensação de prazer, ao acreditarmos em algo e em nós mesmos, melhoramos nossa auto-estima.

Louise Hay e tantos outro competentes autores milionários de livros Best-seller de auto-ajuda dos séculos XX e XXI que lotam prateleiras de livrarias e supermercados, bem sabem dos neurotransmissores, mas ensinam a seus ávidos leitores de forma bela, acessível e didática, o caminho até a “plenitude do ser”.

Também não precisa ser Paulo Coelho ou pagar o super faturado caminho de Compostela para saber que felicidade, alegria, bem-estar, contato com a natureza e mente aberta fortalecem o sistema imunológico e podem, até mesmo, modificar nossa estrutura celular, gerando aí um campo magnético de dentro para fora que nos protege e faz bem. Nenhuma novidade para a homeopatia unicista!

Entretanto, acho fundamental esclarecer que o que escrevo aqui e acolá não é regra promulgada. Destina-se apenas à expressão de uma simples percepção, de um olhar, que poderá, sim, em algum momento, turvar-se. O que significa dizer que: porque não como carne vermelha e mantenho uma dieta balanceada, pratico exercícios físicos, faço o bem e sou feliz, sou inatingível, não ficarei triste, não terei problemas, não vou sofrer, não vou chorar, não vou pirar, não vou fugir...


Quando você ficar triste

Que seja por um dia

E não o ano inteiro

E que você descubra

Que rir é bom

Mas que rir de tudo

É desespero...


Sou matéria, também. Movida - entre tantas outras forças – por combinações químicas. Sou genética, energia, ciência e um emaranhado de conexões personalizadas e exclusivas. Portanto, não venha com verdades absolutas pra cima de mim, não, porque, como já dizia Shakespeare, “penso, logo existo”. Sou única e minha maior ambição na vida e continuar sendo eu mesma!


Assim como o universo, também atravesso, a cada milésimo de segundo, meu processo natural de transformação. Sou vulnerável e bem conheço a dor, a alegria, a angústia. Sou ainda mais feliz ao saber que, experimentando tais sentimentos, experimento a mim mesma.


Eu te desejo

Não parar tão cedo

Pois toda idade temPrazer e medo...


Pois é, veja como a vida é regida por experimentações. Experimentei novas sensações há pouco. Experimentei a divergência, o conflito, a irritação, o descontrole emocional e foi tudo passageiro. Poderia não ter sido.

X e eu poderíamos resistir ao perdão amigo. Poderíamos preferir a ausência à presença. Poderíamos, quem sabe, fustigar a tal da oportunidade. Mas, não, preferimos recomeçar.
X, dedico-lhe, agora completo, Amor pra Recomeçar, do Frejat. (Baseado em poema de Victor Hugo).

Bom dia!


Amor pra Recomeçar


Eu te desejo

Não parar tão cedo

Pois toda idade tem

Prazer e medo...

E com os que erram

Feio e bastante

Que você consiga

Ser tolerante...

Quando você ficar triste

Que seja por um dia

E não o ano inteiro

E que você descubra

Que rir é bom

Mas que rir de tudo

É desespero...

Desejo!

Que você tenha a quem amar

E quando estiver bem cansado

Ainda, exista amor

Prá recomeçar

Prá recomeçar...

Eu te desejo muitos amigos

Mas que em um

Você possa confiar

E que tenha até

Inimigos

Prá você não deixar

De duvidar...

Quando você ficar triste

Que seja por um dia

E não o ano inteiro

E que você descubra

Que rir é bom

Mas que rir de tudo

É desespero...

Desejo!

Que você tenha a quem amar

E quando estiver bem cansado

Ainda, exista amor

Prá recomeçar

Prá recomeçar...

Eu desejo!

Que você ganhe dinheiro

Pois é preciso

Viver também

E que você diga a ele

Pelo menos uma vez

Quem é mesmo

O dono de quem...

Desejo!

Que você tenha a quem amar

E quando estiver bem cansado

Ainda, exista amor

Prá recomeçar...

Eu desejo!

Que você tenha a quem amar

E quando estiver bem cansado

Ainda, exista amor

Prá recomeçar

Prá recomeçar

Prá recomeçar...

Terça-feira, Maio 12, 2009

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Quarta-feira, Abril 15, 2009

Inversão de valores


Que país é esse? Já perguntava Renato Russo há anos. Lembram quando houve a quebra do sigilo bancário daquele caseiro do Palocci, o Francenildo? Pois é, ele, que tudo via e ouvia enquanto trabalhava com dignidade, foi obrigado a depor e, assim, revelar o que sabia.

Sob 'juramento', teve que contar algumas verdades. Contou-nos, a todos, que palocci e companhia frequentavam casa alugada por lobistas com direito à partilha de dinheiro e garotas de programa.

A 'novelinha' bem conhecemos, entretanto, o que muita gente não sabe é que Palocci e companheiros foram absolvidos, passam bem e já estão de volta às atividades, digamos assim, políticas. E Francenildo, aquele humilde brasileiro, homem trabalhador e pai de família que com o salário de caseiro e eventuais bicos teria garantido o futuro de seus filhos?

Em vez de virar herói nacional ao denunciar um sujo esquema de corrupção, ficou desempregado e, simplesmente, não consegue emprego, afinal, quem vai contratar o maior 'dedo-duro' do Brasil?

Que país é esse, pergunto eu?

Segunda-feira, Abril 13, 2009

Miles Davis, simply the best...


“I'm always thinking about creating. My future starts when I wake up every morning . . .

Every day I find something creative to do with my life.”

Miles Davis

Terça-feira, Março 03, 2009

Hoje reencontrei Chico (VIDE POSTAGEM DE MESMO TÍTULO ACIMA)




Terça-feira, Janeiro 13, 2009

Gaza - David e Golias




180 minutos de trégua na insanidade entre palestinos e Israelenses. Esse foi o tempo cedido aos grupos de ajuda humanitária que atuam na Faixa de Gaza. Lá falta tudo: eletricidade, comida, medicamentos e, principalmente, paz.

Por um breve instante, lembrei-me de uma linda passagem do livro Ensaio sobre a Cegueira, do magnífico José Saramago: “Penso que não cegamos, penso que estamos cegos”.
Como no livro, somos, na realidade, cegos que vêem. Ao vermos, escolhemos não enxergarmos, pois assim, protegemo-nos da brutal realidade que se arma diante de nossos olhos.
Não nos expomos, não saímos mais às ruas em protesto, não decidimos parar o mundo em nome de uma causa maior, porque não há causa maior, senão a nossa própria egoística existência. Assistimos pacificamente de nossas confortáveis poltronas às resoluções proferidas por chefes de Estados, Organizações, mediadores, ganhadores do Nobel e, daqui, ingenuamente, aceitamos acreditar que a paz será instaurada. As ações diplomáticas agem rápido, afinal, países fronteiriços sofrem sérios riscos econômicos com a guerra.

Em quase duas semanas de conflito e com provas de leis de guerras violadas, contam-se mais de 700 mortos e milhares de feridos registrados no lado palestino e algumas poucas dezenas de mortes do lado Israelense, destas últimas apenas 3 civis. Os números indicam a importância da força física para sobreviver à latente ameaça que paira sobre o sistema internacional.

A paz é a energia geradora de relações econômicas ativas e amistosas que possibilitam o intercâmbio entre nações. Intercâmbio esse que se traduz em investimento, importação e exportação e, finalmente, visibilidade. Ao conquistarmos a paz comercial possibilitamos espaço para co-existirmos e, assim, sermos.
Talvez, aqui e contrariando a lenda, os palestinos precisem de um Davi para combater o gigante Golias.

Quarta-feira, Dezembro 17, 2008

Você É a diferença


Estava zapeando por aí até que ouvi trecho de uma entrevista sobre aperfeiçoamento pessoal. Não sei ao certo se assim se chama a técnica, mas entendo que essa é a melhor definição para o que fora explicado. O entrevistado é um conhecido autor de livros de auto-ajuda e palestrante conceituado em grandes empresas, mas não faço a mínima idéia de quem seja.


Estava na iminência de seguir adelante, quando o tutor de empreendedores ávidos pela resposta à pergunta “Como ter sucesso em tudo na vida?” deixou escapar a seguinte pergunta:


“Você sabe o que é talento?”


Era um Quiz sem múltipla escolha e eu, telespectadora, tive alguns poucos segundos para responder.

De imediato, vieram à minha mente pessoas talentosas de diversos segmentos da sociedade, mas, naquele momento desprevenido, talento não se traduzia em palavras. Simplesmente não as tinha. Até que a resposta veio:


“ Talento é algo natural, inato do indivíduo. É aquilo que se faz sem nenhum sacrifício”.


A informação foi rápida e de fácil absorção, mas não esvanece. Fica. Incomoda. Até que você decida refletir se é ou não um ser talentoso. Diante de tantas possibilidades que o mundo nos oferece para sermos maiores e melhores a cada hora que passa você se pergunta:


“O que faço de forma tão natural e que não exija nenhum, ou pouco sacrifício e, ainda sim, tenha um resultado mais que satisfatório? Que seja exclusivo e tenha minha marca registrada? “


Alguns minutos mais tarde, pergunto: Será que temos tempo e espaço para exercitarmos ‘nós mesmos’? Somos o que realmente somos ou destacamos as nossas supostas “imperfeições” - que poderiam ser, quem sabe, talento, aquela marquinha original e exclusiva - para assim substituí-las por supostas “perfeições” ditadas e estabelecidas pelo sistema no qual que aceitamos nos inserir?


Uma vez substituídas, temos agora as “perfeições” que nos adéquam e nos tornam iguais, quase-modelos de um ser fabricado em série na voraz indústria da sociedade. O que me remete ao tema desta postagem: você sabe o que é talento?


Talvez, seja tudo aquilo que negamos em nós mesmos e que tanto desejamos eliminar de nossas vidas, afinal, talvez, o nosso talento esteja em discordância com um determinado universo nào tão livremente escolhido por nós e que, definitivamente, não conspira a nosso favor.


Então, faça assim: exercite o talento seu de cada dia sem medo de ser diferente. Ouse e revele a sua marquinha registrada.

Sábado, Agosto 02, 2008

Beleza Pura - acessibilidade


Sexta-feira, 01/08/2008


Novela dá exemplo de responsabilidade social

http://belezapura.globo.com/Novela/Belezapura/Bastidores/0,,AA1686257-10259,00.html

Acessibilidade para deficientes físicos é abordada na trama


A partir desta semana, Sônia e Guilherme começaram a se mostrar preocupados com a acessibilidade de deficientes físicos à clínica Beleza Pura. A dupla resolveu até fazer obras no local para permitir que deficientes possam entrar e circular pelas clínicas, podendo usufruir de seus serviços. Outra preocupação é de treinar os funcionários para que saibam atender da melhor forma os deficientes.


Marco Vitale, presidente do projeto Percepções, ajudou a autora a criar as cenas de conscientização social para o problema, indicando quais mudanças poderiam ser feitas na clínica. “Quem convive com um deficiente, sabe que ele também pode ter senso estético. Até mesmo uma pessoa cega tem essa preocupação de fazer a unha, cuidar dos cabelos. E é muito interessante ver esse assunto ser abordado em uma novela”, declara Marco.


Inclusão social

Segundo ele, há muitos deficientes que ficam constrangidos de ir a certos locais porque a acessibilidade é precária, não há rampas, estacionamentos e corredores adequados. “Não deve haver locais só para deficientes e só para pessoas comuns. É importante que todas as pessoas se relacionem, como vai acontecer na clínica Beleza Pura. É a inclusão da pessoa com deficiência em todos os lugares”, explica.


A iniciativa veio da pesquisadora Danielle Lima, que já trabalhou com projetos de responsabilidade social e acredita que a novela pode ser uma forma de alertar as pessoas sobre o assunto. “São pessoas que, como nós, consomem, têm direitos, usam serviços, são eficientes, mas, que muitas vezes, por falta de acesso vivem num total ostracismo”, declara a pesquisadora da novela.


Então, não perca os próximos capítulos e aprenda com a iniciativa de Guilherme e Sônia.

Sábado, Fevereiro 16, 2008

Três meninas elegantes...

Somos três.

Inseperáveis e, até pouco tempo, perfeitinhas. Uma versão de Sex and the City, sem Manolo Blahnik, Jimmy Choo ou Chanel, é claro.

Mas, hoje, já não sei mais. Forças ocultas andam melindrando o que fora.

Duas nomeiam uma de Lolita e, por vezes, ‘Sam’. Não tem 12 anos como escreveu Tchekov, mas a jovialidade comportamental é sua marca registrada.
Tem brilho próprio e é menina dócil quando passa. Só quando passa, porque quando avista a presa, já é predadora. Não escapam, nem mesmo, aquelas pobres criaturas de sons de pulso de baixa freqüência. Assim é a nossa Sam.

Duas nomeiam uma de Gueixa moderna. Uma ‘lady’ desatrelada de todos aqueles estereótipos de submissão, que fique bem claro! Ela é próspera, independente, forte e tão enigmática quanto à cultura oriental. Mas, nem tudo são Sakurás; esconde uma Cho-Cho na alma...

Duas nomeiam uma de explosiva, temperamental e ??? Agora é com elas. Meninas?

...

To be continued

Segunda-feira, Fevereiro 04, 2008

Ah, se eu pudesse...

Serendipidade na ciência. Estavam lá os médicos realizando um procedimento cirúrgico no cérebro de um paciente que já havia tentado de tudo para emagrecer.

Em nada adiantavam as dietas rigorosas, as supersticiosas, as drogas medicamentosas, as ervas espirituosas, a cirurgia bariátrica, nem mesmo a malhação enfática. Nada o faria emagrecer.

Sua última esperança seria, então, chegar a algum lugar do cérebro e, ali, desativar a potente e, até então desconhecida, “bomba-relógio”. A iniciativa era experimental e era tudo o que lhe restava.

Não é que, fuxicando ali pelo hipotálamo, que além de outras funções está relacionado à fome, os cientistas descobriram um pontinho que quando estimulado com eletrodos traz à tona memórias antigas?

A cada estímulo, uma lembrança. Ao lembrar-se de uma festinha há muitos anos, o paciente detalhou cores, roupas e pessoas. Era como se tudo tivesse acontecido há 2 horas. O paciente continua gordo e a engordar, mas, agora, ele vai conseguir se lembrar...

A comunidade científica já comera a façanha e vislumbra uma resposta de cura para a doença de Alzheimer. Eu, daqui, já imagino clínicas especializadas em ‘recuperação de memória’. “Desconto de 10% se o pagamento for à vista”, anuncia a conhecida e badalada Memory Lane...
Deitamos numa espécie de divã, com música ambiente e, logo, começamos a sessão.

Um choquinho, e o que você era há 20 anos surge nitidamente e só lhe traz alegrias. Mas, de repente, a corrente aumenta e, involuntariamente, aquele encontro frustrado que você tanto queria esquecer, surge na tela do seu ainda inexorável HD.

Será que realmente queremos nos lembrar de tudo? Será que, às vezes, somos protegidos pela falta de memória? E se houvesse uma maneira de esquecer o que não queremos lembrar?

Ah, se eu pudesse deletar do meu incontrolável e descontrolado HD o dia que tive a absoluta certeza de que minha vozinha era esquizofrênica... Ainda lembro como se fosse hoje.

Ou aquela manhã quando soube ao telefone que a mesma vozinha havia morrido.

Ou ainda aquelas outras manhãs que, também ao telefone, soube que a vó Maninha, o Luiz, a dona Neuza, o Lincoln, não mais aqui estariam.

Ah, se eu pudesse deletar todas as mágoas, os mal-entendidos, o dito pelo que não deveria ter sido dito, as decisões erradas e os caminhos extraviados.

Ah, se eu pudesse...

Mas, talvez, as dores da existência nos ajudem a ponderar o viver e, assim, amadurecemos e chegamos, aos pouquinhos, perto da tal sabedoria. Assim pensava Nietzsche. Assim sofro eu.

Quinta-feira, Janeiro 31, 2008

Irritando Dani Lima





É claro que ninguém é a favor do aborto. Sou a favor da descriminalização do aborto. Segundo dados do ministério da saúde, mais de 1 milhão de abortos são realizados por ano aqui no Brasil. É ou não é uma questão de saúde pública?

Dizem por aí que o Brasil é um Estado laico, entretanto, a religião tem peso dois e está sempre pronta para embarreirar toda e qualquer opinião científica ou não que contrarie os dogmas católicos. Tem sido assim com células-tronco, preservativos, relacionamentos homossexuais, etc.

Por aqui, somente em duas situações o aborto é permitido, ainda sim, com severos critérios de avaliação: em casos de estupro e risco para a mãe.

Para aqueles que concordam com a temida e manipuladora religião católica (acreditem, o Brasil é o país mais católico do planeta) com seu fundamentalismo disfarçado pela exuberante indumentária, a vida começa na concepção, quando o espermatozóide encontra e fecunda o óvulo. Ali já tem vida e o defensor da descriminalização do aborto é, segundo os ditadores, um defensor da morte. Já a ciência e alguns outros (Quem são os outros? Talvez aqueles que desconfiemm que a teoria do Big Bang seja a mais próxima da verdade sobre a origem do universo e que Jesus não foi um milagre que veio dos céus, bem como o super-homem) consideram vida quando há atividade cerebral.

Assim, fingimos acreditar que vivemos numa sociedade democrática e igualitária. Esse papo de descriminalização do aborto em nada vai mudar a realidade de mulheres brancas de classe média que se surpreendam com uma gravidez indesejável. Entretanto, a outra esmagadora maioria feminina da sociedade, pobre, parda e negra de todo o país que não tem condições financeiras para a cuidadosa cirurgia na tal clínica especializada, ah, essa sim, se nada for feito no congresso, continuará sem poder recorrer ao sistema de saúde público do nosso país.
Afinal, pra elas, o aborto é proibido e é crime condenado pelo Estado, pela igreja toda poderosa, a pomposa do Vaticano (e também por aquela igrejinha evangélica da comunidade local) e por tantos outros demagogos.

A estas pobres coitadas, diante da inesperada revelação de uma gravidez indesejável, restam apenas algumas tentativas abortivas e perigosas que põem em risco suas vidas.
Como se não bastasse, aquela que o comete será condenada e estigmatizada com a letra A de aborto, quase que a letra escalarte de Nathaniel Hawthorne, se fosse ela adúltera e vivesse numa sociedade puritana do século 17.

Bem, opiniões à parte, penso que o tema deveria ser impreterivelmente decidido por mulheres, afinal, são elas que em momentos de prazer, ou não, engravidam e sofrem todas as conseqüências e responsabilidades inerentes à dura decisão de realizar ou não um aborto depois de um remoto momento de prazer despreocupado e ingênuo, ou não, que irá transformar, pra sempre, sua vida.

Sábado, Fevereiro 24, 2007

Wandering lonely as a cloud




You know that awkward sensation of feeling lost and left out? Of demeaning yourself as worthless when nothing around makes any sense at all?

Last night I was feeling that way. I simply could not fall asleep and that was what I feared most: to dive into such emotional depth. My relentless mind and thoughts would inevitably lead me to a next day fatigue.

Crazy as it may sound, I've got no control over my thoughts as they set off on a fast track to elements of sweet and pain, leading me to secret places I try not to recall.

Memory lane brings up a young version of myself amid alienated and blankfaced grown-ups. In just a few seconds I'm there, lying down on my back, staring at the ceiling as if it were a giant screen, watching the movie of my whole life that seems to take all night long.

It is painful to go on that journey over and over again. Time. All I need is a bit of patience to get trhough it, because patience is often rewarded. Yet somehow, paradoxically, after achieving such a tone of haunting and melancholy portrait, I picture a better understanding of myself, of what´i've become, of what I am.

Would that convey an identity crisis? A metaphor for a desperate search? Or, is it just my level of melatonin?

Sexta-feira, Fevereiro 23, 2007

O sheik e as putas - Parte I



Cheguei às 6h esbaforida ao aeroporto de Salvador just in time to ouvir a psicodélica 'última chamada' que vinha de um lugar distante e sombrio. Não tinha jeito mesmo. Eu havia perdido meu vôo de volta para casa.

Estava lá a trabalho, tinha dia e hora certa de chegada e saída, mas por razões desconhecidas do meu subconsciente, não consegui sair de lá.

Naquele primeiro momento, entrei em pânico. Perdi a cabeça, chorei, apelei, tentei os mais diversos recursos, mas não deu em nada: eu estava mesmo errada.

A equipe TAM nada mais podia fazer por mim a não ser lamentar meu desgaste emocional e transferir o vôo para a madrugada seguinte. Sem argumentos plausíveis parto sob a mira piedosa dos cautelosos viajantes que lá chegaram às 5h30 para o vôo das 6h20.

Duas horas mais tarde e de volta para o mesmo hotel, tentaria descansar para uma jornada de um dia noite a dentro, afinal, estava fraca, com fome, sozinha e o que é pior, sem razão. Tudo recomeçaria às 24h00 com inúmeras conexões e previsão de tempo ruim em Congonhas.


Desolada, eu sabia que não conseguiria dormir depois de tanta tensão. Fui até a sacada do quarto e avistei aquela linda e convidativa piscina e logo no horizonte, a Baía de Todos os Santos. Não pensei duas vezes...

O estômago que roncava se acomodava naquela zoeira orquestrada que só um hotel 5 estrelas de Salvador poderia oferecer. Reverberavam os mais diversos sons que vinham de turistas estrangeiros, brasileiros, funcionários do hotel, empresários, artistas, putas, mais putas e até de um sheik árabe.
Eu contemplava tudo na pérgula do hotel, quando de repente ...
To be continued ...

Terça-feira, Fevereiro 13, 2007

Blue Butterflies



"Adorei! Aquela da borboleta azul forte entre panos e pele é liiiinda!"
N. M.

Sexta-feira, Fevereiro 09, 2007

"Don't touch him!" Assim falava o empresário.



Foto tirada no Festival de Verão de Salvador
Janeiro/2007

Bem que eu tentei um abraço ou um simples aperto de mão mas não rolou porque Matisyahu é judeu ortodoxo do ramo do Hasidismo, o que significa que, entre outras restrições, não toca em dinheiro nem em mulheres, a não ser a sua própria esposa, é claro!
É um renomado rapper americano e considerado o mais novo expoente do raggae. Suas músicas têm, por vêzes, poderosas citações tiradas da Torá ou do Tanach que beiram o fanatismo religioso. Portanto, muita cautela ao eleger qualquer uma de suas canções.
Ainda sim, o cara é muito bom!

YOUTH é uma das minhas favoritas porque tem mensagem construtiva e é uma espécie de apelo aos jovens de hoje e de todos os tempos. Check it out:


YOUTH
some of them come now
some of them running
some of them looking for fun
some of them looking for a way out of confusion
some of them don't know what to be
some of them don't know where to go
some of them trust their instincts that something's
missing from the show
some don't fit society,
insides are crying low
some of them teachers squash the flame before it had a
chance to grow
some of them embers do glow
them charcoal, hushed and low
some of them come with the hunger suppressed, not fed
them feel a death blow

chorus:

young man, control in your hand
slam your fist on the table and make your demand
take a stand
fan a fire for the flame of the youth
got the freedom to choose
better make the right move
young man, the power's in your hand
slam your fist on the table and make your demand
you better make the right move


storm the halls of vanity
focus your energy
into a laser beam
streaming shattered light
unites to pierce
between the seams
and it seems
in a world open
peering, the children see
rapid fire for your mind
the "truth" is just a lie
they rub me the wrong way
then say their way or fall behind
seven subjects disconnect
left out the concept as to
why there's a spiritual emptiness
so them youth can get vexed
skip class and get wrecked
filled with beer and cigarettes
and take home and make checks.

{chorus}

got the freedom to choose
better make the right move
got the freedom to chooooose

{chorus}

"youth is the engine of the world" x5

Segunda-feira, Janeiro 15, 2007

Que Deus?



Pentapolêmica?
Seria EU cinco vezes polêmica ou uma polêmica pentelha?

Um dia desses, estava com alguns 'conhecidos' quando o tema religião foi abordado. Pra variar , eu já era a atração. Por quê?
Porque contrariava todas as outras opiniões. Porque não tenho religião. Porque sou atéia. Porque, pra mim, a vida só pode ser agora. Porque não acredito nas instituições religiosas. Porque tudo isso já foi escrito (Vide postagens anteriores).

Eu sempre me surpreendo com a reação alheia. O que era pra ser uma saudável troca de idéias, tornou-se uma enérgica demonstração da inquisição: no tribunal do santo ofício, lá estava eu sendo julgada por minhas convicções ímpias.
Bem, a partir de hoje, para melhor elucidar meus argumentos, calo-me diante do desrespeito às diferenças e escolho a belíssima passagem do inesquecível Zuzu Angel com direção de Sérgio Resende, na qual Zuzu (Patrícia Pillar) lê uma carta deixada por seu filho Stuart Edgard Angel Jones (Daniel Oliveira):

“Mãe,
você me pergunta se eu acredito em Deus.
Eu te pergunto: que Deus?
Tem sido minha missão te mostrar Deus no homem.
Pois somente no homem ele pode existir.
Não há homem pobre ou insignificante que pareça ser, que não tenha uma missão.
Todo homem, por si só, influencia a natureza do futuro.
Através de nossas vidas nós criamos ações que resultam na multiplicação de reações.
Esse poder que todos nós possuímos; esse poder de mudar o curso da história é o poder de Deus.
Confrontado com essa responsabilidade divina, eu me curvo diante do Deus em mim.”

Segunda-feira, Outubro 30, 2006

Food for thought


Sol demais não faz bem à saúde do país.
Já notaram que quanto mais quente for o lugar, menos desenvolvido ele será?
Pensemos nas regiões norte e nordeste do Brasil, nas ilhas da América Central, no continente africano, em alguns países da América do Sul (Bolívia, Paraguai, Colômbia), nos países quentes da Ásia (Afeganistão, Índia, Malásia, Filipinas, etc.). Pois é, todas estas regiões mencionadas e tantas outras, têm clima equatorial, tropical e/ou subtropical.

Quinta-feira, Outubro 19, 2006

Mesmo o leito seco de um rio ainda guarda o seu nome






Mesmo o leito seco de um rio ainda guarda o seu nome
Provérbio africano


Quem nunca teve aquele sentimento inquietante de um dia experimentar o sábio, misterioso e contraditório continente africano? Sábio, porque a história da humanidade começou lá. Misterioso, porque a cada dia, uma revelação arqueológica nos ajuda a entender quem somos, e contraditório porque é pródigo em ouro, diamante, petróleo e diversidade cultural, entretanto, a maior parte do seu povo vive abaixo da linha da pobreza.Bem verdade que o imaginário ocidental tem interpretações preconceituosas e, muitas das vezes, equivocadas sobre a África. Incorporamos, através da mídia e dos livros didáticos, o sofrimento à distância e a esperança de que, a cada natal, os milhões de dólares arrecadados com aquele bombástico sucesso de estrelas internacionais que decidem se juntar em prol de uma causa qualquer (e na África, causa é o que não falta), consigam, talvez, diminuir os números de abikus (crianças nascidas para morrer, no dialeto iorubá), ou quem sabe, apontar dados menos devastadores.Mas, relativismo cultural a parte, é duro demais saber que o vírus da AIDS mata, por dia, mais de 6.000 pessoas na África , e que, em alguns países, homens, mulheres e crianças enfrentam filas quilométricas por um galão de água (um cidadão americano consome em média 600 litros de água por dia, O europeu, 300 e o africano entre 20 e 30 litros por dia!), e que, muito ‘naturalmente’, associamos o continente às imagens distorcidas e estereotipadas que nos chegam de desertificação, corrupção, guerras étnicas intermináveis, genocídio, anarquia, estupro, AIDS, fome e pobreza endêmica.
Eis que chegam mulheres e meninas de todas as idades, elegantes e soberanas, desfilando na passarela de terra ou asfalto da vida. Já nas primeiras horas do dia, a criatividade impera em estampas, vestidos e nas capulanas que, além de carregarem alimentos e filhos, exaltam estilos inusitados.
Paradoxalmente, emergem e sobrevivem às tormentas com uma miríade de cores tão mais vivas que a própria vida. Talvez, a intensidade das cores manifeste a eterna e sublime luta contra o mal estarrecedor. Como se quisessem aclarar que já são vitoriosos apesar das adversidades.

O ocidente já tenta, há muito, copiar essa moda exuberante e espontânea da África. Mas, a moda lá é social e complexa demais para uma reprodução do lado de cá. O que vemos lá não é uma ou outra tendência para cada estação do ano. É a moda inspirada na vida, no sofrimento e na eterna esperança de que, um dia, Mama África encare um outro destino, sem preconceito, generalizações e esquecimento.


Fontes:

http://news.bbc.co.uk/hi/english/static/in_depth/africa/2000/aids_in_africa/default.stm

http://www.africanow.org/

Quinta-feira, Agosto 31, 2006

O senhor dos infernos



Plutão foi descoberto em 1930. É frio (são 215 graus abaixo de zero), introspectivo, distante e ainda leva na identidade o nome de um deus romano do submundo. Ou seja, nasceu para viver no ostracismo e na obscuridade. Para o desapontamento daqueles que lutam por igualdade de direitos e respeito às minorias, a União, (essa, a de astrônomos) em Praga, afirma que Plutão não é digno de ser planeta por três razões principais: sua órbita não é lá uma Skoll (é ‘achatadinha’ e não desce redonda), não tem iniciativa própria e não sabe se defender dos inimigos asteróides, pois quando eles pintam no caminho, o menor se intimida e logo cola no poderoso e persuasivo Netuno, líder nato.

Entretanto, o que realmente importa é que crescemos com little big Pluto e, em nada muda a sua mais nova nomenclatura de planeta anão, ou melhor, planeta afetado pelo nanismo, ou ainda, planeta verticalmente comprometido. Ele continuará influenciando outros astros maiores em previsões e mapas astrais das revistinhas de domingo, para a felicidade dos que ganham o pão de cada dia predizendo o futuro incerto.

Segunda-feira, Agosto 28, 2006

Pensando na vida...




Um dia desses, minha amiga surpreendeu-se com uma resposta do filho de apenas três anos de idade. Bem, o menino é uma graça e espertíssimo. Ele acabara de chegar do colégio e subiu com os sapatos no sofá, o que logo irritou sua mãe.

Embora ela tivesse exigido em bom tom para que ele não repetisse o feito, de nada adiantou. Como que um desafio, o menino voltou a pular no sofá. Ah, não deu outra. A mãe disse que contaria até três – código muito bem compreendido pelo pimpolho e que sugere uma bela palmada ao término da contagem. Bem, assim sendo, o menino não teve escolha e desceu do sofá já de cara emburrada. Naquele momento, sua mãe o mandou para o quarto e lhe disse que ficaria de castigo até segunda ordem.

No caminho para o quarto, a criança diz: “tudo bem, mamãe. Vou pensar na vida”. Aquela declaração, quase filosófica, a intrigou. Quando questionado sobre a origem da resposta, o menino revelou que toda vez que alguma criança faz mal-criação em sala de aula, a professora a encaminha para um cantinho da sala, isolado, e pede para que ela pense na vida.

Tudo isso também me intrigou. Embora os temas ‘superando os desafios da educação infantil’ e ‘aprendendo a conhecer melhor o seu filho’ definitivamente, não me interessem (não nasci para a maternidade), o relato me remeteu a uma passagem do livro, abaixo mencionado, Um defeito de cor, de Ana Maria Gonçalves.

Lá pela página 187, Kehinde, ainda adolescente e escrava, já alguns anos no Brasil depois de uma tortuosa viagem a bordo de um navio negreiro vindo da África, também já é mãe e vítima de um, digamos assim, ‘estupro legalizado’ do seu sinhozinho. Banjokô (que significa, sente-se e fique comigo), seu filho, é ‘roubado’ pela própria sinhá Ana Felipa, cuja frustração maior é nunca ter conseguido dar à luz. Banjokô, quando recém-nascido, apresenta algumas características do ‘pai’, o sinhô de pele muito branca e olhos muito azuis. Pois é, aí está a chance de Ana Felipa sentir a maternidade pela primeira vez.
Mãe e filho separados maquiavelicamente pela sinhá. Kehinde não vê saída para estar com Banjokô, a não ser às escondidas.

...
Bem, é tudo emocionante, mas tenho que ir direto ao tema desta postagem. Numa dessas investidas, Kehinde é pega pela sinhá. Foi punida com fortes tapas no rosto e logo enviada para o porão, pois precisava ‘pensar na vida’, palavras da própria sinhá que estava acompanhada de um padre católico.

Então, ‘pensar na vida’ num cantinho qualquer e sozinho, é ou não é uma forma de punição católica?

Aguardo respostas para minha inquietante dúvida.

Minha dica de leitura : Um Defeito de Cor


Um defeito de cor, de Ana Maria Gonçalves
Editora: Record
Estamos no início do século XIX em Savalu, na África. Numa tarde qualquer o destino muda. Embarcamos num navio negreiro na África e chegamos à Bahia de Todos os Santos através da emocionante narrativa da personagem Kehinde, que, em 952 páginas, revela em sua saga, a verdadeira e cruel história do Brasil durante 8 décadas, mas também nos revela a história e a condição da mulher no Brasil colonial. Determinada a mudar o rumo ‘natural’ da sua vida, Kehinde é uma lição de perseverança e vida para homens e mulheres de todas as épocas.

O título Um Defeito de Cor refere-se à uma lei do período colonial. Na época, somente os brancos poderiam ocupar cargos eclesiásticos, civis ou militares. Entretanto, por vezes, a determinação e o talento de negros e mulatos falavam mais alto que as regras segregacionistas impostas. O negro pedia dispensa do “defeito de cor” e, assim, estava ‘apto’ a exercer a função almejada.
Um defeito de cor veio para ficar e tornar-se um clássico da literatura.




“Em suas 952 páginas, Um Defeito de Cor não tem hausto, parada pra respirar. Desmintam-me, por favor.
É um dos livros mais importantes, coloco entre os melhores que li em nossa bela língua eslava.”
Millôr Fernandes
Fonte: http://www2.uol.com.br/millor/aberto/dailymillor/006/045.htm

Sexta-feira, Agosto 25, 2006

X está para Y assim como Y não está para X




X está para Y assim como Y NÃO está para X
As mulheres têm dois cromossomos X, chamados assim por causa de seu formato, e os homens, um X e um Y. Ao longo de milênios, o cromossomo Y foi progressivamente se degenerando até o formato de um pequeno tronco, um processo que dá sustentação à inquietante teoria de que os homens eventualmente podem vir a se extinguir na evolução.
O cromossomo X, ao contrário, se manteve preservado com o passar dos anos. A teoria é que ele serve para manter um quadro mais complexo de genes de forma a compensar a retração do cromossoma Y.
Fonte: Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida
Amigas queridas,
todas aquelas nossas conversas de botequim (calma, só quis dar uma ênfase pós-impressionista e boêmia ao meu relato seguido de pesquisa comportamental do sexo feminino), muito me ajudaram a formular o questionário abaixo. Eis que chego a uma triste conclusão.
...
Para escrever o que aí está, nada mais nostálgico que Diana Krall cantando Prelude to a kiss. Tudo ficaria ainda melhor se fosse noite de inverno, com chuva lá fora escorrendo pelo vidro da janela e aquele cheirinho de terra molhada. Aqui, o ambiente estaria completo se ao meu lado, uma taça de vinho tinto, Lambrusco, de preferência, ou um aromático cafezinho.
Quero esclarecer que aprecio um bom vinho, amo Bordeaux, mas não tenho cultura de sommelier e não faria ‘cursinho’ no Rio Design para entender melhor desse papo high society. O que me faz lembrar um movimento emergente nos Estados Unidos (onde mais poderia ser?), onde jovens empreendedores, todos com diploma de MBA (ai, que praga!) com pressa, muita pressa, mas sem muita cultura, né? Bem, os moçoilos se matriculam num curso de cultura e artes. Em dois meses, saem de lá com certificado e ‘proficiência’ em diversos assuntos. Pronto! Como num conto de fadas, falam sobre obras de arte, teatro e clássicos da literatura. DOIS MESES e voilá!!!

Sem mais divagações, voltemos ao que nos interessa aqui.
...
Nas conversas mais íntimas com as amigas e ao longo de alguns meses, chego, com respeito e permissão, às seguintes conclusões. Acreditem, os descontentamentos foram os mesmos aonde quer que eu fosse. A partir das críticas, elaborei um testezinho. Assim, se todas as respostas forem EXATAMENTE, significa que algo anda errado na relação. Significa também que o momento clama por mudanças e pelo que todas sabemos, essa mudança deverá começar por nós mesmas. Intitulei o testezinho de Bem-me-quer, Mal-me-quer. Quem não se lembra, bem jovens, arrancávamos pétala por pétala da margarida coitadinha, ansiosas pelo surpreendente Bem-me-quer final. Hoje, temos o testezinho da Dani... haha
...
Considere, para as declarações abaixo, o período em que vocês assumiram um relacionamento mais sério, do tipo, passaram a morar juntos, casaram ou qualquer coisa que esteja no âmbito do comprometimento.


Se a maioria das respostas para o dito cujo for:


Exatamente

It means that:
Tudo errado entre vocês dois. Já começou mal e só tende a piorar. Você deverá priorizar outros campos da sua vida. Viaje sozinha ou com amigas. Estude mais. Valorize-se e cresça. Não tenha medo de perdê-lo, se assim tiver que ser. Mas, saiba que ainda há uma luz no fim do túnel.


Não é bem assim
It means that:
Ainda há chance de reativar o romance, que, felizmente, não se perdeu.


Nada a ver
It means that:
Amiga premiada! Está tudo ótimo entre vocês! Continuem depositando na relação.


...

Prontas? Vamos lá:


1) A sua família o admira e o respeita. A família dele não suporta a idéia de vocês estarem juntos.

Obs.: Subentende-se por família MÃE e IRMÃS.

R:

2) Você já desafiou sua família para defender o seu bem amado. Quando você é insultada pela família dele, ele se cala e nada faz.

R:

3) Quando a família dele liga para sua casa, nem ao menos pergunta se você está bem. Como se a casa não fosse sua. Como se você não pagasse a merda da prestação altíssima do apartamento. Como se você não fosse parte do todo.

R:

4) Pense em três situações de sofrimento. Ele não estava ao seu lado e você teve que se virar sozinha.

R:

5) Ainda nas dificuldades da vida (questão acima), você chorou angustiada ao lado do bem amado que dormia e roncava de satisfação num sono profundo.

R:


6) Ele pouco se importa com os seus problemas. A relação fica ótima quando você o ouve e o conforta, mas não ouse falar-lhe de maiores temores, porque ele não estará lá para confortá-la e ajudá-la a encontrar uma saída.

R:

7) Vocês se encontram depois de uma jornada de trabalho intensa. Ainda sim, você está toda entusiasmada para contar-lhe algo que aconteceu. Ele finge prestar atenção. A cabeça dele está em outro lugar. De repente, ele interrompe o ‘monólogo’ e se entusiasma com uma batida de carro no jornal nacional. “Caramba! Você viu aquilo?” E, se depois de tanto você reclamar daquela atitude descompromissada, ele responder que ouve com os ouvidos e não com os olhos, ihhhh, sujou!


R:


8) Vocês estão num restaurante. Você observa os outros casais e morre de inveja! Eles se olham, trocam carícias, riem um para o outro. Há muita ternura no ar. Já, vocês, nada têm para falar. Olhos errantes em busca de algo para fixar o olhar e revirar a tão constrangedora situação de duas pessoas que se conhecem, até bem demais, para eventuais surpresas e revelações.

R:

9) Você se arruma toda. Passou o dia mobilizada para o evento de hoje à noite. Na última hora, andou vários quilômetros do quarto até o banheiro e do banheiro de volta ao quarto. Roupa estendida na cama, sandálias no chão, jóias pelo lençol como que num braço imaginário e a bolsa ao lado. Você visualiza o esplendor da noite ali mesmo, naquela simulação do seu próprio corpo. Está tudo perfeito! Do jeitinho que você imaginara... Fez as unhas, massagem corporal para desestressar, sobrancelhas, buço e aquela escova com produtos kerastase. Depilou-se, já contando com o ‘particular’ após o evento. Tomou aquele banho super demorado (o pacote inclui sabonete líquido corporal, sabonete líquido com ácido salícílico para a pele oleosa do rosto, sabonete líquido íntimo e, finalmente, óleo trifásico da Natura). Maquiagem impecável, perfume francês caríssimo, roupa íntima caríssima (já pensando no particular), e o que mais for preciso para o tão esperado e caríssimo modelito da noite. Ele chega. Você ainda está de toalha. Beijinho, um tudo bem? e rumo ao banho, afinal vocês já estão quase atrasados. Y não exige maiores cuidados. Banho com sabonete qualquer (serve um Lux), xampu antiqueda ou anticaspa e pronto! Ele está lindo e impecável aos nossos olhos. Sem perceber seus movimentos, ele já está de calça jeans, com uma linda blusa (mas não tão cara quanto qualquer um dos nossos itens acima mencionados), duas borrifadas de perfume francês e voilá! Ele está na sala, mas já tem pressa. Você sai do quarto esperando aquela reação... Ele nada esboça, a não ser um: “Roupa nova?” Você esperava algo do tipo: “Puxa, você está ainda mais linda!” Ou simplesmente: “Como você está linda. Arrasou!” Nessa hora, no salto, você finge não ter passado o dia inteiro esperando um singelo elogio dele. Você está arrasada, mas não entrega os pontos e só pensa em como ele merece ser chifrado.

R:

10) Vocês transam e tudo está maravilhoso. Você chegou lá e está feliz da vida. Quando acaba, você ainda tem aquele sorriso maroto estampado e espera ouvir alguma coisa do tipo: “Você é tudo pra mim”. Ou então, algo menos dramático do tipo: “Eu te amo tanto.” Ou “Você me faz tão feliz”. Ou qualquer outra coisa que você não ouve há anos, ou melhor, desde que vocês passaram a dormir junto e o sexo já não é uma conquista. Até que, como um casal de velhinhos sexagenário, ele lhe dá um beijo na testa, diz boa noite, põe o pijama e vira de costas para você. Pronto! Mais uma noite de insônia.

R:

11) Você se sente sozinha, mesmo com ele ao seu lado dividindo a mesma cama. Inúmeros sábados, eu disse, inúmeros!!! Lá pelas 22 h, você querendo, pelo menos, conversar. Ele, cansado demais, começa a roncar em 28 segundos. Você não agüenta tanta indiferença e recomeça a insegurança. Imagina situações até às 2 h da manhã, quando então se rende ao cansaço. Olheiras e mau humor na manhã seguinte.

R:

12) E aquele beijo complexo? Sim, o de línguas entrelaçadas e confusas que, hoje, só precede o sexo, e, mesmo assim, quando os dois já estão na cama e na horizontal? O ‘namoro’ acabou. Nunca mais ‘olho no olho’, corações disparados e toques (não considere aqui os fraternais e aquelas mecânicas e compulsivas demonstrações de carinho). Hoje, só aquele ‘estalinho’ e olhe lá.

R:

13) Quando brigam, você, irascível, fala mil coisas, reclama, chora e precisa de uma DR básica. Ele, para sua angústia maior, nada diz e parte em direção à tela (da TV ou do computador). Você? Ignorada, no vácuo, completamente sozinha, de novo.

R:

14) E a mais cruel das conclusões: ele não tem medo de te perder.

R: