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J'ai commencé ma vie comme je la finirai sans doute: au milieu des livres. Jean-Paul Sartre (Les Mots)

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Dentro de nós há algo que não tem nome, essa coisa é o que somos. José Saramago

Quinta-feira, Agosto 31, 2006

O senhor dos infernos



Plutão foi descoberto em 1930. É frio (são 215 graus abaixo de zero), introspectivo, distante e ainda leva na identidade o nome de um deus romano do submundo. Ou seja, nasceu para viver no ostracismo e na obscuridade. Para o desapontamento daqueles que lutam por igualdade de direitos e respeito às minorias, a União, (essa, a de astrônomos) em Praga, afirma que Plutão não é digno de ser planeta por três razões principais: sua órbita não é lá uma Skoll (é ‘achatadinha’ e não desce redonda), não tem iniciativa própria e não sabe se defender dos inimigos asteróides, pois quando eles pintam no caminho, o menor se intimida e logo cola no poderoso e persuasivo Netuno, líder nato.

Entretanto, o que realmente importa é que crescemos com little big Pluto e, em nada muda a sua mais nova nomenclatura de planeta anão, ou melhor, planeta afetado pelo nanismo, ou ainda, planeta verticalmente comprometido. Ele continuará influenciando outros astros maiores em previsões e mapas astrais das revistinhas de domingo, para a felicidade dos que ganham o pão de cada dia predizendo o futuro incerto.

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