One Flew Over...

J'ai commencé ma vie comme je la finirai sans doute: au milieu des livres. Jean-Paul Sartre (Les Mots)

Minha foto
Nome:
Local: Rio de Janeiro, RJ, Brazil

Dentro de nós há algo que não tem nome, essa coisa é o que somos. José Saramago

Quinta-feira, Janeiro 31, 2008

Irritando Dani Lima





É claro que ninguém é a favor do aborto. Sou a favor da descriminalização do aborto. Segundo dados do ministério da saúde, mais de 1 milhão de abortos são realizados por ano aqui no Brasil. É ou não é uma questão de saúde pública?

Dizem por aí que o Brasil é um Estado laico, entretanto, a religião tem peso dois e está sempre pronta para embarreirar toda e qualquer opinião científica ou não que contrarie os dogmas católicos. Tem sido assim com células-tronco, preservativos, relacionamentos homossexuais, etc.

Por aqui, somente em duas situações o aborto é permitido, ainda sim, com severos critérios de avaliação: em casos de estupro e risco para a mãe.

Para aqueles que concordam com a temida e manipuladora religião católica (acreditem, o Brasil é o país mais católico do planeta) com seu fundamentalismo disfarçado pela exuberante indumentária, a vida começa na concepção, quando o espermatozóide encontra e fecunda o óvulo. Ali já tem vida e o defensor da descriminalização do aborto é, segundo os ditadores, um defensor da morte. Já a ciência e alguns outros (Quem são os outros? Talvez aqueles que desconfiemm que a teoria do Big Bang seja a mais próxima da verdade sobre a origem do universo e que Jesus não foi um milagre que veio dos céus, bem como o super-homem) consideram vida quando há atividade cerebral.

Assim, fingimos acreditar que vivemos numa sociedade democrática e igualitária. Esse papo de descriminalização do aborto em nada vai mudar a realidade de mulheres brancas de classe média que se surpreendam com uma gravidez indesejável. Entretanto, a outra esmagadora maioria feminina da sociedade, pobre, parda e negra de todo o país que não tem condições financeiras para a cuidadosa cirurgia na tal clínica especializada, ah, essa sim, se nada for feito no congresso, continuará sem poder recorrer ao sistema de saúde público do nosso país.
Afinal, pra elas, o aborto é proibido e é crime condenado pelo Estado, pela igreja toda poderosa, a pomposa do Vaticano (e também por aquela igrejinha evangélica da comunidade local) e por tantos outros demagogos.

A estas pobres coitadas, diante da inesperada revelação de uma gravidez indesejável, restam apenas algumas tentativas abortivas e perigosas que põem em risco suas vidas.
Como se não bastasse, aquela que o comete será condenada e estigmatizada com a letra A de aborto, quase que a letra escalarte de Nathaniel Hawthorne, se fosse ela adúltera e vivesse numa sociedade puritana do século 17.

Bem, opiniões à parte, penso que o tema deveria ser impreterivelmente decidido por mulheres, afinal, são elas que em momentos de prazer, ou não, engravidam e sofrem todas as conseqüências e responsabilidades inerentes à dura decisão de realizar ou não um aborto depois de um remoto momento de prazer despreocupado e ingênuo, ou não, que irá transformar, pra sempre, sua vida.

0 Comments:

Postar um comentário

Links to this post:

Criar um link

<< Home