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J'ai commencé ma vie comme je la finirai sans doute: au milieu des livres. Jean-Paul Sartre (Les Mots)

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Dentro de nós há algo que não tem nome, essa coisa é o que somos. José Saramago

Sábado, Maio 16, 2009

Podemos conviver pacificamente com as divergências ideológicas? Sim, se as respeitamos.




A partir de agora, vou chamar de X uma amiga querida. X me convidou para um aniversário de um amigo. Agradeci o convite, mas tivemos que decliná-lo. André estava muito gripado e a noite prometia cama e descanso, é claro!

Aproveitei a ligação para saber como fora seu dia e tudo mais. Tudo parecia bem até que, e disso eu me lembro bem, X fez uma breve referência a um e-mail (esses do tipo “corrente”, que se você não encaminhá-lo a 10 pessoas, os seus pedidos não se realizarão) ao afirmar que continuava a acreditar no poder daquela mensagem e que, se as coisas não haviam saído exatamente como ela planejara, era porque assim deveria ser.

A mensagem evocava a força de nossos mais verdadeiros pensamentos. Passo a passo, mentalizaríamos a realização bem-sucedida de um desejo. De acordo com a mensagem, em sinergia com o universo, a conquista seria revelada em alguns minutos.

Nesse momento (e me arrependo profundamente de ter desenvolvido o tema), tentei dizer a X que, na minha opinião, todas as coisas boas que lhe estavam acontecendo eram o fruto de trabalho, postura e atitudes corretas e, não, de uma breve mentalização diante do tal e-mail. O universo pode, sim, conspirar a nosso favor, mas que, a meu ver, há desgraças - doenças, tragédias, infortúnios - que estão fora do controle de indivíduos, sociedades, nações, países, e de nosso planeta.

Daí, ainda ao telefone e em voz alta, divergimos, contestamos, agredimos, desrespeitamos, e quando tudo que tínhamos de bom parecia estar comprometido por falácias e mal-entendido, percebi que o que menos exercitávamos ali era a nossa atitude positiva. Estávamos definitivamente emanando desarmonia.

X não poupou nem mesmo assuntos nada pertinentes à fervorosa discussão. Mencionou minha inaptidão para a convivência. Lembrou-se de 3 acontecimentos relatados por mim.

Contei-lhe que uma colega de trabalho havia escrito em seu blog que me odiava e que ao saber, fiquei consternada. Levou-me algum tempo até digerir por completo o ocorrido.

Segundo X, aí estava a minha primeira dificuldade para relacionar-me bem com pessoas.

Anos antes, quando eu ainda era RP, conheci uma amiga que se tornaria uma grande amiga.

Separamo-nos por algum tempo, sem briga, mas estávamos magoadas por um breve desentendimento.

Segundo X, aí estava a minha segunda dificuldade para relacionar-me bem com pessoas.

Ano passado, uma amiga apaixonada e recém-separada de um grande amigo meu, resolveu maltratá-lo com xingamentos e inverdades. Simplesmente, não permiti. Afastei-me dela.

Segundo X, aí estava a minha terceira dificuldade para relacionar-me bem com pessoas.

Bem, só não poderia imaginar que ao confidenciar tais situações a uma nova amiga, as mesmas seriam relembradas em tom punitivo por ela.


Eu te desejo muitos amigos

Mas que em um

Você possa confiar

E que tenha até

Inimigos

Prá você não deixar

De duvidar...


Vale ressaltar que a tal colega do primeiro acontecimento é digna de pena. Poderia ficar aqui horas escrevendo sobre tudo que sei de sua vida profissional e pessoal. Mas não vou fazê-lo porque o fracasso alheio não me faz feliz, nem melhor.


Já, a amiga do segundo acontecimento continua sendo minha grande amiga e o tempo em que estivemos afastadas – eu no Brasil mudando significativamente minha vida profissional e ela na Europa fazendo mestrado - fora importante para que percebêssemos que o que temos é ainda maior que eventuais embates ideológicos.


Quanto à terceira amiga, um dia desses me ligou e desculpou-se pelas ofensas malcriadas ao meu amigo e companheiro de projetos sociais que tanto adoro. Sou mulher, movida por hormônios e bem conheço os “estragos” de uma TPM. De imediato, com aquele sorrisão nos lábios, combinamos um almoço.


Contei a X que 2009 era o ano das amigas. Porque conheci X, porque minha amiga voltou para o Brasil e me disse coisas lindas e porque minha outra amiga havia me ligado para que voltássemos a ser o que éramos. Esse é, definitivamente, o ano das amigas.

Bem, de volta ao tema desta postagem.

Ao telefone e furiosas, X e eu não mais nos entendíamos. Já estávamos pra lá da Faixa de Gaza.

X gritava que os homens não vieram dos macacos. Eu gritava acreditar que a teoria da evolução das espécies proposta por Darwin é, pra mim, a mais plausível explicação para o que hoje somos.

X gritava que, por eu ser atéia, minha mente não estava aberta. Eu, indignada com tamanha ousadia, rebatia e gritava que X comportava-se como uma fanática ao tentar convencer (e, quem sabe, converter) a todos que estão ao seu redor de suas crenças e, assim, desrespeitar as diferenças. Se eu não acredito nas mudanças propostas pelo calendário Maia para o ano de 2012, X acha um absurdo.

X gritava ter visto espíritos quando criança. Eu gritava respeitar suas experiências mas que não acreditava em espíritos. X só fazia ratificar minha falta de preparo espiritual para tal dádiva.

X insistia em gritar que, na vida, tudo estava sob nosso controle. Eu gritava que há acontecimentos na vida que independem de nossas vontades.

X gritava conseguir tudo que queria na vida e que não tem problemas. Eu a parabenizo e desejo-lhe o melhor, sempre. Eu gritava que tenho tudo o que preciso para ser feliz, mas que não me culpo por ter insatisfações inerentes a quem é humano. Sou humana e tenho fraquezas! Meu corpo sinaliza o descontentamento e, aí, depois da turbulência, me encontro mais uma vez. Vivo me reencontrando, ainda melhor e mais feliz.
E assim foi... Desligamos o telefone e aqui estou, racionalizando o que é humano. Poderia ter evitado tudo isso se tivesse sido mais tolerante, mas não foi dessa vez!


E com os que erram

Feio e bastante

Que você consiga

Ser tolerante...


Tudo isso pra dizer a X que somos parte do todo. Com humildade diante da grandeza de um universo espetacular, soberano e misterioso, que nos indica, cada vez mais, que não existem verdades absolutas e que, se nele estamos, tão diversos e divergentes, então que sejamos livres e respeitados por nossas opiniões, tenho o livre arbítrio de ser o que quero ser: atéia e exijo respeito à minha convicção. Não acredito em Deus como um ser superior. Acredito que o Universo seja regido por energia que pode, eventualmente, promover ajustes e caos em todos os sistemas existentes.
Para mim parece óbvio que sejamos o que acreditamos, que sejamos o que comemos, que sejamos o que lemos e que, finalmente, sejamos aquilo que queremos ser ou que consigamos ser dentro de nossas limitações internas e/ou externas. Uma criança que nasce e vive com uma deformação congênita severa vai encontrar em todas as religiões uma explicação para sua deformidade. Já eu, acredito num corpo que está em constante evolução e, portanto, passível de “erros” genéticos durante sua formação. Erros estes que podem, também, ser apenas resposta justificável a uma sequência de "maus-tratos" a médio ou longo prazo a este corpo que gera uma nova vida.

Assim como uma simples corridinha de 20 minutos faz com que nosso corpo libere serotonina proporcionando-nos aquela agradável sensação de liberdade que potencializa a sensação de prazer, ao acreditarmos em algo e em nós mesmos, melhoramos nossa auto-estima.

Louise Hay e tantos outro competentes autores milionários de livros Best-seller de auto-ajuda dos séculos XX e XXI que lotam prateleiras de livrarias e supermercados, bem sabem dos neurotransmissores, mas ensinam a seus ávidos leitores de forma bela, acessível e didática, o caminho até a “plenitude do ser”.

Também não precisa ser Paulo Coelho ou pagar o super faturado caminho de Compostela para saber que felicidade, alegria, bem-estar, contato com a natureza e mente aberta fortalecem o sistema imunológico e podem, até mesmo, modificar nossa estrutura celular, gerando aí um campo magnético de dentro para fora que nos protege e faz bem. Nenhuma novidade para a homeopatia unicista!

Entretanto, acho fundamental esclarecer que o que escrevo aqui e acolá não é regra promulgada. Destina-se apenas à expressão de uma simples percepção, de um olhar, que poderá, sim, em algum momento, turvar-se. O que significa dizer que: porque não como carne vermelha e mantenho uma dieta balanceada, pratico exercícios físicos, faço o bem e sou feliz, sou inatingível, não ficarei triste, não terei problemas, não vou sofrer, não vou chorar, não vou pirar, não vou fugir...


Quando você ficar triste

Que seja por um dia

E não o ano inteiro

E que você descubra

Que rir é bom

Mas que rir de tudo

É desespero...


Sou matéria, também. Movida - entre tantas outras forças – por combinações químicas. Sou genética, energia, ciência e um emaranhado de conexões personalizadas e exclusivas. Portanto, não venha com verdades absolutas pra cima de mim, não, porque, como já dizia Shakespeare, “penso, logo existo”. Sou única e minha maior ambição na vida e continuar sendo eu mesma!


Assim como o universo, também atravesso, a cada milésimo de segundo, meu processo natural de transformação. Sou vulnerável e bem conheço a dor, a alegria, a angústia. Sou ainda mais feliz ao saber que, experimentando tais sentimentos, experimento a mim mesma.


Eu te desejo

Não parar tão cedo

Pois toda idade temPrazer e medo...


Pois é, veja como a vida é regida por experimentações. Experimentei novas sensações há pouco. Experimentei a divergência, o conflito, a irritação, o descontrole emocional e foi tudo passageiro. Poderia não ter sido.

X e eu poderíamos resistir ao perdão amigo. Poderíamos preferir a ausência à presença. Poderíamos, quem sabe, fustigar a tal da oportunidade. Mas, não, preferimos recomeçar.
X, dedico-lhe, agora completo, Amor pra Recomeçar, do Frejat. (Baseado em poema de Victor Hugo).

Bom dia!


Amor pra Recomeçar


Eu te desejo

Não parar tão cedo

Pois toda idade tem

Prazer e medo...

E com os que erram

Feio e bastante

Que você consiga

Ser tolerante...

Quando você ficar triste

Que seja por um dia

E não o ano inteiro

E que você descubra

Que rir é bom

Mas que rir de tudo

É desespero...

Desejo!

Que você tenha a quem amar

E quando estiver bem cansado

Ainda, exista amor

Prá recomeçar

Prá recomeçar...

Eu te desejo muitos amigos

Mas que em um

Você possa confiar

E que tenha até

Inimigos

Prá você não deixar

De duvidar...

Quando você ficar triste

Que seja por um dia

E não o ano inteiro

E que você descubra

Que rir é bom

Mas que rir de tudo

É desespero...

Desejo!

Que você tenha a quem amar

E quando estiver bem cansado

Ainda, exista amor

Prá recomeçar

Prá recomeçar...

Eu desejo!

Que você ganhe dinheiro

Pois é preciso

Viver também

E que você diga a ele

Pelo menos uma vez

Quem é mesmo

O dono de quem...

Desejo!

Que você tenha a quem amar

E quando estiver bem cansado

Ainda, exista amor

Prá recomeçar...

Eu desejo!

Que você tenha a quem amar

E quando estiver bem cansado

Ainda, exista amor

Prá recomeçar

Prá recomeçar

Prá recomeçar...

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